25 de abril de 2012

Não morra lentamente...

 

Morre lentamente quem não viaja, 
quem não lê, quem não ouve música, 
quem não encontra graça em si mesmo. 
Morre lentamente quem destrói o seu amor próprio, 
quem não se deixa ajudar. 
Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, 
repetindo todos os dias os mesmos trajetos, 
quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma 
nova cor ou não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru. 
Morre lentamente quem evita uma paixão, 
quem prefere o negro sobre o branco e os pontos
 sobre os 'is' em detrimento de um redemoinho de emoções justamente as que resgatam o brilho dos olhos,
 sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz, 
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás 
de um sonho, quem não se permite pelo menos 
uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.
 Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se 
da sua má sorte ou da chuva  incessante. 
Morre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece 
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, 
recordando sempre que estar vivo exige
 um esforço muito maior que o simples fato de respirar. 
Somente a perseverança fará com que 
conquistemos um estágio esplêndido de felicidade.

_____Pablo Neruda

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