9 de outubro de 2011


Ele pode estar olhando tuas fotos
neste exato momento.
Por que não? Passou-se muito tempo,
 detalhes se perderam. E daí?
Pode ser que ele faça as mesmas coisas que
você faz escondida, sem deixar rastro nem pistas.
 Talvez, ele passa a mão na barba mal feita e
sinta saudade do quanto você gostava disso.
 Ou percorra trajetos que eram teus, na tentativa
 de não deixar que você se disperse das lembranças.
 As boas. Por escolha ou fatalidade, pouco importa,
 ele pode pensar em você. Todos os dias.
 E, ainda assim, preferir o silêncio.
 Ele pode reler teus bilhetes,
procurar o teu cheiro em outros cheiros.
Ele pode ouvir as tuas músicas,
 procurar a tua voz em outras vozes.
 Quem nos faz falta,
acerta o coração como um vento súbito
que entra pela janela aberta. Não há escape.
Talvez, ele perceba que você faz falta e diferença,
 de alguma forma, numa noite fria. Você não sabe.
 Ele pode ser o cara com quem passará aquele
tão sonhado verão em Paris.
Talvez, ele volte. Ou não.


_______Caio Fernando Abreu

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigada por borboletar aqui!